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Meu filho faz amizade com uma IA



Tem algo errado quando meu filho faz amizade com uma IA?

Quando li que três em cada quatro adolescentes americanos já interagiram com amigos de inteligência artificial, minha primeira reação não foi de espanto com a tecnologia, foi uma espécie de tristeza.


Porque a reflexão que me veio foi que vazio a IA pode estar estar preenchendo.


Pense bem, uma amiga IA está sempre disponível, de bom humor, disponível, nunca se entedia com a conversa... Não julga e nunca "dá bolo". Uma amiga perfeita, não?


Sabe o que eu fiquei pensando também? Quantas crianças têm um adulto assim na vida?

A gente vive numa época em que nós estão cada vez mais ocupados, as famílias cada vez menores, as cidades cada vez menos seguras para o brincar livre, as agendas cada vez mais cheias de atividades organizadas que deixam pouco espaço para aquela boa conversa jogada fora...


E aí aparece uma IA que só quer saber de você. Que lembra do que você disse semana passada. Que pergunta como foi o dia. Que nunca vai embora! Para uma criança ou adolescente que sente solidão, isso é mais do que tecnologia, é consolo.


O que me preocupa não é a IA

O que me preocupa é o que a existência e o sucesso dessas ferramentas revela sobre o que as nossas crianças estão sentindo. Amizades reais são difíceis. Exigem disponibilidade, vulnerabilidade, tolerância ao outro, capacidade de reparar o que quebrou.


E essas habilidades se desenvolvem exatamente no exercício das relações imperfeitas, nas brigas que precisam ser resolvidas, nos amigos que somem por uns dias e reapararecem...Nos adultos que às vezes não têm tempo mas fazem questão de aparecer.


Quando uma IA preenche esse espaço, a criança fica confortável. Mas não cresce emocionalmente.

É como musculação com peso zero. O movimento existe, mas o músculo não se desenvolve. Agora deu deixo uma questão para todos nós refletirmos:


Será que tem algo errado quando a criança prefere conversar com uma IA?

Uma pergunta que precisa ser feita antes de qualquer conversa sobre limite de uso, sobre regulação, sobre tecnologia. Antes de falar sobre o que a IA está fazendo com nossas crianças, talvez precisemos olhar para qual vazio que ela está preenchendo.


Precisamos estar vigilantes e dispostos antes que a IA se torne a resposta rápida para a solidão das infâncias contemporâneas.



Geovanna Tominaga. Jornalista, escritora, especialista em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. Graduanda em Psicopedagogia, pós-graduanda em Neuropsicopedagogia.

Para palestras e projetos: geovanna.tominaga@gmail.com



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